Ferramentas de jardim a bateria: mitos e dicas antes de escolher

Há dez anos, uma ferramenta de jardim a bateria era uma escolha de compromisso. Servia para um relvado pequeno, uma sebe baixa, uma limpeza rápida. Para trabalho a sério, a gasolina continuava a ser a única opção. Muita gente continua a escolher com base nessa ideia.

Em resumo

As ferramentas de jardim a bateria são a melhor escolha para relvados e jardins domésticos, sebes e limpezas regulares. A gasolina continua a fazer sentido em terrenos grandes, mato alto e trabalho de muitas horas seguidas. Entre os dois, a decisão depende mais da autonomia e da plataforma de baterias do que da potência.

Sebe de jardim acabada de aparar, com ramos no chão e um corta-sebes a bateria pousado no relvado
Para uma sebe mantida com regularidade, um corta-sebes a bateria faz o trabalho sem ficar atrás da gasolina.

Entretanto, as baterias de ião de lítio ficaram mais leves e com mais capacidade, e os motores sem escovas ficaram mais eficientes. Hoje, corta-relvas, corta-sebes, roçadoras e sopradores a bateria fazem a maior parte do trabalho de um jardim doméstico sem ficarem atrás dos equivalentes a gasolina.

A potência chega para o jardim; o limite é o mato alto

Para o trabalho de um jardim doméstico, a bateria tem potência. Um corta-relva a bateria de boa gama corta relva densa e húmida, e um corta-sebes a bateria corta ramos com a espessura habitual numa sebe mantida com regularidade.

O limite está noutro sítio. Mato alto e lenhoso, silvas com anos de crescimento ou um terreno de vários milhares de metros quadrados pedem potência sustentada durante horas. Aí, uma roçadora ou uma motosserra a gasolina continuam a ser mais práticas, porque o depósito se enche em segundos e uma bateria demora a carregar.

A autonomia é da bateria, não da ferramenta

A autonomia depende da capacidade da bateria, medida em amperes-hora (Ah) ou watts-hora (Wh). Uma bateria pequena pode durar 20 minutos num corta-relva. Uma grande pode durar mais de uma hora. Um exemplo concreto: segundo a ficha técnica, o corta-sebes Oleo-Mac HCi 45 trabalha cerca de 36 minutos em uso intensivo com a bateria de 2,0 Ah, e cerca de 90 minutos com a de 5,0 Ah. Comparar ferramentas sem comparar baterias é comparar carros sem olhar para o depósito.

A solução para trabalhos maiores é simples: uma segunda bateria. Enquanto uma trabalha, a outra carrega. Na maior parte dos jardins, isso chega para fazer tudo de uma vez.

Descarregar até ao fim era com as baterias antigas

Foi verdade nas antigas baterias de níquel-cádmio, que tinham efeito de memória. Não é verdade nas baterias de ião de lítio usadas hoje. Pelo contrário: segundo a Battery University, as descargas totais devem ser evitadas, e as cargas parciais não fazem mal nenhum.

As baterias de lítio preferem cargas parciais e temperaturas moderadas. Podes carregá-las sempre que quiseres. O que as degrada é o calor, o frio intenso e ficarem meses totalmente vazias ou totalmente cheias.

Duas baterias de ferramentas de jardim e um carregador numa bancada de garagem
Uma segunda bateria resolve a autonomia: enquanto uma trabalha, a outra carrega.

Mais volts dá mais força, não mais tempo

A voltagem indica a potência que a bateria consegue fornecer. A capacidade indica quanto tempo a consegue manter. Uma ferramenta de 40 V com uma bateria pequena corta com força e acaba depressa. Uma de 20 V com uma bateria grande trabalha mais tempo com menos força.

Mais importante do que o número é a plataforma. Os fabricantes organizam as ferramentas por famílias de baterias, e só as ferramentas da mesma família partilham baterias e carregador. Comprar dentro da mesma plataforma reduz muito o custo das ferramentas seguintes.

A plataforma decide o custo dos próximos anos

É a decisão que mais pesa no custo ao longo dos anos. As baterias são, muitas vezes, a peça mais cara do conjunto. Se a primeira compra for feita a pensar nas próximas, a segunda e a terceira ferramentas podem ser compradas sem bateria.

Na Oleo-Mac, que a Dinâmica representa, há duas plataformas que não são compatíveis entre si. A de 40 V, para uso doméstico, usa as baterias Bi 2,0 OM e Bi 5,0 OM e inclui os corta-relvas Gi 40, Gi 44 e Gi 48 e os corta-sebes HCi 45 e BCi 35 HL, este último de haste. A de 56 V, profissional, usa as baterias Bi 525, Bi 540 e Bi 580 e inclui, por exemplo, o corta-sebes de haste BCi 530 HL.

Dentro da plataforma de 40 V, há um pormenor que convém saber antes de comprar: os corta-relvas maiores (Gi 44 T, Gi 48 P e Gi 48 T) só funcionam com a bateria de 5,0 Ah. Se começares por um destes, a bateria grande serve depois também as ferramentas mais pequenas. Quase toda a gama usa motores sem escovas, mais eficientes e com menos manutenção; o corta-sebes HCi 45 é a exceção.

A plataforma de 40 V da Oleo-Mac, na Dinâmica

46 cm de corte, tração e motor sem escovas. Funciona com a bateria de 5,0 Ah, que depois serve as ferramentas mais pequenas.

Cerca de 36 minutos de uso intensivo com a bateria de 2,0 Ah e cerca de 90 com a de 5,0 Ah. Mesma plataforma, mesmo carregador.

Cuidados que prolongam a vida da bateria

“A gasolina sai sempre mais barata” só se contares a compra

Na compra, uma ferramenta a gasolina é muitas vezes mais barata do que a equivalente a bateria com bateria e carregador. A diferença inverte-se com o uso. A bateria dispensa combustível, óleo de mistura, velas, filtros de ar e a revisão de um motor de dois tempos. Também não há carburadores entupidos na primavera, depois de meses parada.

Há ainda o que não aparece na fatura: menos ruído, zero fumo, menos vibração nas mãos e arranque imediato.

Na prática, num jardim doméstico, a bateria é hoje a escolha mais económica ao fim de poucos anos. Para terrenos grandes e trabalho pesado, a gasolina continua a ter o seu lugar. Muitas vezes, a melhor solução é ter as duas. Se não sabes qual plataforma faz sentido para o teu terreno, fala com a equipa da Dinâmica, em Viseu.

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