O equipamento essencial para viajar de moto com conforto e segurança

A maior parte das viagens de moto que correm mal não correm mal por causa de uma queda. Correm mal ao quilómetro 250, com as luvas encharcadas, o pescoço dorido e um zumbido nos ouvidos que começou há duas horas. A partir daí, cada paragem demora mais, cada arranque custa mais e a atenção à estrada vai diminuindo sem que se dê por isso.

Em resumo

O equipamento essencial para viajar de moto resume-se a cinco coisas: um capacete que não incomoda ao fim de horas, um sistema de camadas em vez de um casaco único, proteções certificadas no sítio certo, uma solução real para a chuva e proteção auditiva. O resto é organização.

Capacete integral, luvas e casaco de moto pousados num banco de madeira numa garagem
O equipamento que protege numa queda é o mesmo que evita chegar ao destino cansado.

É por isso que, numa viagem, conforto e segurança são a mesma conversa. Um condutor com frio, molhado ou cansado reage mais tarde, avalia pior as curvas e toma decisões que não tomaria à partida. O equipamento que protege numa queda é o mesmo que evita chegar a esse estado.

O cansaço é o primeiro risco numa viagem longa

Numa saída de uma hora, o corpo aguenta quase tudo. Numa viagem de seis ou sete horas, pequenos incómodos acumulam-se. O ruído do vento, o frio nas mãos, a desidratação e a tensão nos ombros somam-se e produzem fadiga muito antes de o condutor a sentir como tal.

A desidratação é um bom exemplo. Num estudo da Universidade de Loughborough, publicado em 2015, condutores num simulador que beberam pouco durante duas horas cometeram 101 erros de condução, contra 47 dos que se mantiveram hidratados. Os autores comparam o efeito ao de conduzir com 0,8 g/l de álcool no sangue. O estudo foi feito com automóveis, mas num capacete, ao sol e com vento, perde-se água mais depressa.

O capacete certo é o que não se sente ao fim de quatro horas

Na loja, quase todos os capacetes parecem confortáveis. A diferença aparece com o tempo. Um capacete demasiado apertado cria pontos de pressão na testa que se tornam dor de cabeça. Um demasiado largo mexe com o vento e cansa o pescoço.

O teste útil é usá-lo durante 15 a 20 minutos antes de decidir. Deve estar justo em toda a volta, sem pontos de pressão localizados, e não deve rodar quando mexes a cabeça com a cinta apertada. Para viagem, valoriza a ventilação regulável, a viseira com sistema antiembaciamento e uma pala solar interna.

Confirma também a homologação. Desde 2024, os capacetes novos são homologados pela norma ECE 22.06, mais exigente do que a anterior. Um capacete ECE 22.05 continua a ser legal, mas se o teu já tem alguns anos, esta é uma boa altura para o substituir.

Os capacetes modulares são práticos em viagem, porque permitem falar ou beber sem os tirar. Os integrais são, em regra, mais silenciosos e mais leves. Na gama de capacetes da Dinâmica encontras os dois tipos, e na loja de Viseu podes experimentá-los com calma.

O ruído cansa mais do que parece

Há um ponto que quase ninguém considera. Num teste da revista neerlandesa Promotor a dez capacetes, o ruído dentro do capacete ficou entre 100 e 106 dB a 100 km/h. A referência para exposição segura é de 80 dB durante oito horas. A velocidades de estrada, o limite é ultrapassado em poucos minutos.

O ruído não só prejudica a audição com exposição repetida. Também cansa. Tampões de espuma ou moldados custam pouco, deixam ouvir o motor e o trânsito e mudam a forma como chegas ao destino.

Camadas resolvem o que nenhum casaco resolve sozinho

Uma viagem de um dia pode começar a 10 °C numa serra e terminar a 32 °C num vale. Nenhum casaco é bom nesses dois extremos. O que funciona é um sistema de camadas.

A base é uma camada técnica junto à pele, que afasta a transpiração. O algodão faz o contrário: retém-na e arrefece o corpo assim que paras. Por cima vai uma camada térmica fina, que se tira e guarda com facilidade. A camada exterior é o casaco com proteções, idealmente com forro removível e aberturas de ventilação.

A vantagem é poderes ajustar sem mudar de equipamento. Tirar uma camada na paragem do café resolve o calor da tarde. Voltar a pô-la resolve o frio da serra.

Proteções: a classe importa, a posição também

O vestuário de moto vendido na Europa é certificado pela norma EN 17092, em cinco classes. As classes AAA e AA têm a maior resistência à abrasão e protetores de impacto obrigatórios em ombros, cotovelos, joelhos e anca. A classe A exige protetores em ombros, cotovelos e joelhos. A classe B tem a resistência à abrasão da A, mas sem protetores. A classe C é apenas uma peça com protetores, para usar por baixo de outra.

Os protetores seguem a norma EN 1621. Nas articulações (EN 1621-1), o nível 2 transmite ao corpo menos de 20 kN num impacto, contra menos de 35 kN no nível 1. Nas costas (EN 1621-2), os limites são 9 kN no nível 2 e 18 kN no nível 1. Para viagens a velocidades de estrada, AA ou AAA com protetores de nível 2 é a combinação mais segura.

Mas um protetor de nível 2 mal posicionado protege menos do que um de nível 1 no sítio certo. Com o casaco vestido e os braços na posição de condução, a proteção do cotovelo tem de ficar sobre o cotovelo e não no antebraço. O mesmo vale para os joelhos com as pernas dobradas.

Luvas e botas completam o conjunto. As luvas são certificadas pela EN 13594, em nível 1 ou 2; o nível 2 exige punho mais comprido, e a indicação “KP” quer dizer proteção dos nós dos dedos. As botas seguem a EN 13634, com uma etiqueta de quatro números que classifica altura, abrasão, corte e rigidez transversal.

Motociclista visto de trás a conduzir à chuva numa estrada nacional com asfalto molhado
Três horas de roupa molhada a 90 km/h tiram calor ao corpo depressa, mesmo no verão.

Chuva: o problema não é molhar, é ficar molhado durante horas

Apanhar chuva durante vinte minutos é desconfortável. Passar três horas com a roupa molhada a 90 km/h é outra coisa: com vento e água juntos, o corpo perde calor muito depressa, mesmo no verão.

Há duas soluções. O equipamento com membrana impermeável está sempre pronto, mas tende a ser quente no verão. O fato de chuva por cima é mais barato, mais eficaz com chuva forte e ocupa pouco espaço. Para quem viaja pouco, é muitas vezes a melhor escolha.

As luvas são o ponto fraco de quase todos os conjuntos. Leva um segundo par. Umas luvas molhadas não secam durante a viagem, e mãos frias significam menos sensibilidade no travão e na embraiagem.

Equipamento de viagem na loja da Dinâmica

Capacete de aventura, homologado ECE 22.06, com pala solar interna e viseira preparada para antiembaciamento. Experimenta-o na loja.

Luvas de condução para estrada, com proteção nos nós dos dedos. Leva um segundo par para a chuva.

O que levar, por ordem de importância

“No verão basta o casaco de rede” é verdade só em metade

Os casacos de rede e com grandes painéis de ventilação são uma boa solução para os dias quentes, desde que tenham proteções e certificação. O problema não é o casaco. É o que se veste com ele: t-shirt de algodão, calças de ganga e sapatilhas.

O calor também cansa. Com temperaturas altas, andar com a pele exposta ao vento aumenta a perda de água em vez de a reduzir, e é exatamente a desidratação que multiplica os erros de condução.

Na prática, o equipamento de verão existe e funciona. Só não dispensa as proteções, as luvas e as botas. E não dispensa água. Antes da próxima viagem, passa pela Dinâmica, em Viseu, para experimentar equipamento e deixar a moto na oficina para uma verificação.

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