É uma das primeiras perguntas de quem instala um robô corta-relva, normalmente no primeiro dia de chuva a sério. O robô está no meio do relvado, a chuva aperta e fica a dúvida: deixo-o trabalhar ou mando-o para a base?
O robô aguenta. Os robôs corta-relva são feitos para viver no exterior, com sol ou chuva, e os melhores têm uma proteção contra a água que permite até lavá-los com uma mangueira. Mas aguentar e dever cortar são coisas diferentes.
Podes deixar o robô corta-relva no exterior quando chove sem o danificar, mas não é boa ideia pô-lo a cortar. A relva molhada aglomera-se e corta de forma menos uniforme, o terreno encharcado marca com as rodas e o robô pode patinar. Os próprios fabricantes recomendam cortar com tempo seco, ativar o sensor de chuva e desligar a alimentação da base quando há risco de trovoada.
Tecnicamente aguenta. A questão é se deve cortar
O corpo de um robô corta-relva é selado para proteger os componentes eletrónicos e a bateria. A classificação IP indicada na ficha técnica diz exatamente contra que tipo de água está protegido. Nos robôs Segway Navimow da série H, que a Dinâmica vende, o robô tem classificação IP66, a estação de carga IP56 e a fonte de alimentação IP55. Na prática, o robô aguenta chuva forte e jatos de água, mas o manual não permite lavá-lo com uma máquina de alta pressão.
O que essa classificação não diz é como fica o relvado. É aí que a chuva tem impacto. A máquina fica bem. O corte e o terreno é que não.
Relva molhada corta pior e suja mais
Os serviços de extensão agrícola das universidades do Minnesota e de Maryland, referências em cuidados de relvados, recomendam o mesmo: não cortar a relva molhada. A relva cortada molhada aglomera-se em tufos, entope o equipamento e o resultado fica menos uniforme.
Num robô, isso nota-se de duas formas. Os restos de corte, que em tempo seco caem finos e desaparecem entre a relva, colam-se às lâminas, ao chassis e às rodas. E a limpeza passa a ser mais frequente, com mais desgaste das lâminas.
O terreno encharcado é o verdadeiro risco
Um robô corta-relva passa várias vezes pelos mesmos sítios, sobretudo junto à base, nas passagens estreitas e nos limites da área de corte. Com o solo encharcado, essas passagens repetidas deixam marcas das rodas que podem demorar semanas a desaparecer.
Nos terrenos com inclinação há outro problema, que o próprio manual da Navimow refere: com a relva molhada, o robô pode patinar. Pode ficar preso ou não conseguir subir um declive que faz sem esforço em tempo seco. Uma paragem por “robô preso” a meio do relvado, à chuva, é exatamente o que se quer evitar.
O sensor de chuva decide por ti
A forma mais simples de lidar com a chuva é não ter de pensar nela. Os Navimow da série H têm um sensor de chuva físico. Quando deteta chuva, o robô volta à base e só retoma o trabalho quando a água no sensor seca. Até lá, não arranca, nem pela app nem pelos botões.
O sensor ativa-se e ajusta-se na app, em Settings > Mower > Rain sensor, onde também se regula a sensibilidade. Há um pormenor curioso no manual: a água da chuva muito pura conduz pouca eletricidade e, em alguns casos, pode não disparar o sensor. Se isso acontecer, aumenta a sensibilidade.
Os Navimow da série H também não usam fio perimetral. Localizam-se por satélite, através de uma antena ligada à estação de carga, combinada com sensores internos, e usam uma câmara de 140° para evitar obstáculos. Isso simplifica ajustar zonas e horários à estação do ano, a partir da app.
Trovoada: o problema é a base, não o robô
Durante uma trovoada, o maior risco não é o robô estar a cortar. É a estação de carregamento estar ligada à corrente. Uma descarga elétrica na rede pode danificar a fonte de alimentação e, através dela, a base, a antena e o robô.
O manual da Navimow é claro: quando há risco de trovoada, desliga a fonte de alimentação da tomada e todos os cabos ligados à estação de carga. Recomenda também não cortar com chuva forte, trovoada ou neve. A fonte de alimentação deve ficar protegida do sol e da chuva, num local ventilado e a pelo menos 30 cm do chão.
Os Navimow da série H na Dinâmica
IP66, sensor de chuva físico, sem fio perimetral e câmara para evitar obstáculos. Lava-se à mangueira.
Protege o robô do sol e da chuva enquanto está na estação de carga. Monta-se por cima da base existente.
Checklist para a época das chuvas
- Sensor de chuva ativo, com a sensibilidade ajustada.
- Horários de corte a meio do dia, quando a relva já secou do orvalho.
- Menos horas de corte por semana: no outono a relva cresce muito menos.
- Limpeza regular das lâminas e das rodas, com escova ou mangueira, nunca com máquina de alta pressão.
- Fonte de alimentação desligada quando houver previsão de trovoada.
- Garagem para proteger o robô na base.
E quando chega o inverno
O manual da Navimow recomenda recolher o robô para dentro de casa nos meses frios, depois de o carregar até pelo menos 85%, e voltar a carregá-lo a cada 120 dias. Deve ficar num local seco e sem geada, assente nas quatro rodas, idealmente entre 10 e 35 °C. A estação de carga e a antena também vão para dentro, com a fonte desligada. Os danos por descarga excessiva da bateria não estão cobertos pela garantia.
“Se é à prova de água, qual é o problema?”
É uma objeção justa. Se o fabricante diz que o robô aguenta chuva, porque não deixá-lo trabalhar? Porque a proteção contra a água existe para que o robô possa viver no jardim sem ser recolhido a cada aguaceiro. Não existe para que o corte com chuva seja tão bom como com tempo seco. É por isso que o mesmo fabricante que o faz resistente à água lhe põe um sensor de chuva.
Há também um limite à proteção. Aguentar chuva e jatos de água não é o mesmo que aguentar ficar parado numa poça ou num relvado alagado.
Na prática, deixa o robô viver no exterior sem preocupação, com o sensor de chuva ativo. É a forma de manter a relva bonita e a máquina a trabalhar durante mais anos. Se tiveres dúvidas sobre o robô certo para o teu relvado, fala com a equipa da Dinâmica, em Viseu.


